Acabou o amor! Como a Globo e o Esporte Interativo passaram de aliados a inimigos mortais (parte 3)

Data  da postagem:19/04/2017

Por conta da grande repercussão desta série de reportagens que conta a história da rivalidade entre Esporte Interativo e Globo, o TV História publicará mais uma parte com detalhes de como o "amor" entre as duas terminou.

Nesta quarta-feira (19), você lê a terceira parte desta reportagem. Aqui, detalharemos como o canal esportivo da Turner adquiriu os direitos exclusivos da Uefa Champions League até o ano de 2018, tirando-os da ESPN Brasil, que já os detinha há 20 anos.

Vale lembrar que este é um trabalho minucioso de dois meses de apuração deste repórter, colhendo depoimentos com jornalistas, diretores, editores e executivos de todas as partes envolvidas. Jamais esta história foi contada com a riqueza de detalhes que você verá nesta terceira parte.

A compra da Champions League

A entrada da Turner no negócio Esporte Interativo deu ao grupo o fôlego financeiro de que eles precisavam. Além de implantar, de forma bem-sucedida, o sinal HD, e de muita troca de experiência com o grupo americano, passou ao mercado a sensação de que a "aventura de seis meses" tinha ficado séria. E levou dinheiro também. Com essa grana, o Esporte Interativo pode remunerar melhor os clubes na Copa do Nordeste, que começou a ser "atacada" por outros canais fechados nos bastidores.

A chance de matar o Esporte Interativo lá atrás tinha sido perdida, mas a Globo, mesmo com a gigante Turner tendo cerca de 30% do Esporte Interativo, quis sangrar o novo concorrente, e achou que a compra dos direitos do triênio 2016-2018 da Liga dos Campeões era a melhor forma. Mas o tiro saiu pela culatra.

Nas duas concorrências anteriores da Champions, a Globo tinha permitido que a Uefa vendesse os jogos de terça-feira na TV aberta (nas parabólicas) para o Esporte Interativo. Isso mudou logo de cara na última. A primeira coisa que a Globo informou à Team (agência que vende os direitos da Champions League para todo o mundo) foi: "queremos comprar a Liga dos Campeões na TV aberta com exclusividade". O recado era claro: nada para o Esporte Interativo. A Globo continuaria com os jogos das quartas-feiras e teria, além disso, mais sete jogos também às terças.

A lógica da Globo era clara: a Liga dos Campeões nas parabólicas dava uma grande receita publicitária, além de muito barulho nas redes sociais para o Esporte Interativo. Sem isso, os resultados e a divulgação do canal cairiam muito e ficaria claro para a Turner que não seria um bom negócio. Só que a Globo não contava com a astúcia de Edgar Diniz, então presidente do Esporte Interativo.

Vendo que a Uefa não brigaria com a Globo para vender os jogos de terça-feira para o Esporte Interativo (a entidade estava muito satisfeita com a Liga dos Campeões no maior canal de TV do Brasil), Edgar Diniz tinha duas opções: ficar no corner levando pancada ou ir para cima, para a trocação, como se diz no mundo das lutas. E foi isso que ele fez.



Edgar Diniz conseguiu de Atlanta (EUA), na sede da Turner, a autorização para gastar cerca de US$ 150 milhões para comprar, com exclusividade, os direitos da Liga dos Campeões na TV fechada, que estavam em poder da ESPN no Brasil há mais de 20 anos.

O tamanho da ousadia é difícil de ser percebida de forma imediata: uma empresa de televisão nova, de profissionais jovens e sem muita experiência no ramo televisivo, convenceu um dos maiores conglomerados de mídia do mundo a investir US$ 150 milhões para tirar um dos direitos esportivos mais prestigiados do mundo de um canal consolidado, aprovado pelo mercado e pelo público, após 20 anos fazendo um bom trabalho. E isso tudo sem ter nenhum canal de TV fechada (onde poderia passar os jogos que estava comprando) nas três maiores operadoras de TV paga do país.

Foi isso que Edgar Diniz conseguiu fazer. Usando a experiência e a solidez da Turner, a inovação e a emoção do Esporte Interativo, e pagando US$ 135 milhões pelos três anos de contrato, conseguiu comprar a Liga dos Campeões, batendo uma concorrência que tinha uma proposta conjunta de ESPN e SporTV. As duas se uniram (mais por desejo da ESPN) para se precaverem de uma proposta (que imaginavam ser) arrebatadora do Fox Sports, que tinha todos os campeonatos relevantes do futebol mundial, menos a Champions League.

Só que a Fox, que tinha gastado muito dinheiro para implantar seus canais no Brasil, nem chegou a fazer proposta oficial para a concorrência. ESPN e SporTV estavam preparadas para perder a Liga dos Campeões para o Fox Sports. Nunca para o Esporte Interativo. O fato pegou todos de surpresa. 

O pós-Liga dos Campeões

Aquela coincidência na compra dos direitos esportivos no Brasil, com o SporTV ficando com tudo do futebol brasileiro/sul-americano e com a ESPN amealhando todos os direitos da Europa, foi sacudida com a entrada do Fox Sports por aqui. E implodiu de vez quando o Esporte Interativo comprou a Uefa Champions League. É como se, veladamente, os quatro canais falassem uns para os outros: a partir de 2016 é cada um por si.

Mas a situação do SporTV era muito cômoda, pois, por mais que estivesse na concorrência pela Champions League, é nítido que foi muito mais uma derrota da ESPN do que do SporTV. Apresentando tudo do futebol brasileiro (menos a Copa do Nordeste) e tendo recuperado a Libertadores (ainda que com poucos jogos exclusivos), a situação do canal da Globosat era bem tranquila. O mesmo não se podia dizer da ESPN...

Tendo perdido o seu grande carro-chefe, a ESPN ficou em uma situação delicada, já que não tinha mais nenhum grande conteúdo exclusivo. A NBA era transmitida por outros três canais e somente as finais eram de fato uma exclusividade sua. 

O Esporte Interativo passou a transmitir a NFL (com Super Bowl e tudo). A Fox levou metade do Campeonato Inglês, o Italiano e metade do Alemão. Por isso, a ESPN sabia que não poderia, em hipótese alguma, perder suas duas próximas negociações: os direitos do Espanhol e do Inglês.

Essa situação fez com que a ESPN gastasse um valor absurdo para manter os direitos do Campeonato Espanhol: US$ 50 milhões por temporada, num contrato de cinco anos, com o campeonato (e os valores) sendo divididos com o Fox Sports.

O Esporte Interativo pensou seriamente em comprar esses direitos, considerados vitais para a consolidação (e ótima remuneração) de seus canais na TV paga. Mas, de novo, na última hora, Edgar Diniz e a diretoria do Esporte Interativo decidiram virar seu canhão para outra direção.

Na próxima semana, a quarta e última parte da reportagem, que irá falar sobre os detalhes da compra do Campeonato Brasileiro pelo EI Maxx e do maior temor da Globo nos últimos anos.

Fonte:tv história por Gabriel Vaquer




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